Sobre sonhos e super-heróis

Toda criança sonha em ser algo quando crescer: astronauta, bombeiro, jogador de futebol.
Eu sonhava em ser super-herói. Desde que comecei a ler com quatro anos, meus pais me davam gibis de heróis para incentivar o hábito. Ver aqueles homens e mulheres salvar o mundo dos terríveis vilões e seus planos mirabolantes virou uma janela para um período de felicidade atemporal. Um mundo de Marlboro sem câncer de pulmão e com cuecas por cima da calça.

O tempo foi passando. Alguns heróis mudaram, outros (como meu pai) morreram e novos surgiram. Mas crises infinitas em dias de um futuro esquecido deixavam minha paixão viva. Para espanto de amigos e parentes que não entendiam como eu podia "perder tempo com essas bobagens". O que eu não entendia era qual o problema de gostar de HQ e também de sexo, política, filosofia, arte e tudo mais que vamos descobrindo com a idade. Minha armadura, mesmo sem raios repulsores, resistia a todo tipo de piadas.

 

 

Virei publicitário e, entre uma campanha e outra, corria para a Batcaverna para enfrentar o perigo. Afinal de contas, grandes histórias trazem grandes responsabilidades - com a coleção.

No meio da trama, encontro minha Mulher-Gato. Ela rouba meu coração e me dá um presente inestimável: uma pequena parceira de leituras. Como eu, a menina-prodígio começa a devorar gibis com 4 anos. Hoje, aos 8, é uma especialista - a ponto de explicar para o vendedor de uma loja de departamentos que, na coleção de roupas da Liga da Justiça, "o cara verde é o Caçador de Marte, chamado de Ajax no Brasil.".

Então raios gamas me transformaram em professor universitário. Pulando com minha teia de prédio em prédio, corria da agência para faculdade e de volta para agência. Mas um arauto prateado surgiu e me alertou sobre a ira do MEC-La-Tes. Para continuar a ser professor, só com mestrado. Após experimentar as emoções de trocar experiências com uma legião de heróis, não podia voltar a ser um simples mortal. A transformação foi irreversível.

No mestrado, novamente, senti a incompreensão de amigos, parentes e colegas. "Você vai analisar uma história em quadrinhos?", perguntavam todos com uma expressão de surpresa e riso. Como se Maus fosse algo engraçado ou inferior a Machado de Assis, Glauber Rocha ou a nova campanha da Skol.

A surpresa alanmooreana foi o sucesso na banca do mestrado e o contato com vários alunos que também querem fazer trabalhos sobre HQ. Entre eles, um dos criadores do Nanquim, Felipe Meyer, que tive o prazer de orientar e agora me convidou para escrever aqui.

Toda criança sonha em ser algo quando crescer: astronauta, bombeiro, jogador de futebol. Eu queria ser fã de História em Quadrinhos. Com a ajuda de meus heróis e amigos, consegui.

Diego Moreau é mestre em Ciência da Linguagem, publicitário e já está sem espaço para guardar sua coleção de HQ.

Adorei!!!

Diego, adooooooooorei o teu texto!!! Bjs, Regina

todos tem um pouco disso

todo mundo tem um pouco desse "lado heroi",mas alguns reprimem isso ou simplesmente deixam isso de lado,achando que a vida não pode ter nada disso,eu mesmo,desde criança até hoje me imagino como um herói,e olha que eu tenho 13 anos,mas meus heróis vieram dos video games,e nem por isso eu só gosto deles pelos jogos,eu gosto deles pelo fato de conhece-los bem e entender o motivo de sua luta contra o crime,olha só,um dos meu heróis foi criado pelo vilão para servi-lo, mas achou tudo aquilo errado e o traiu

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