Colegas dão adeus a Colonnese
Quadrinistas brasileiros despediram-se, cada qual à sua maneira, do mestre Eugênio Colonnese, desde a notícia de seu falecimento na última sexta-feira (08/08).
Durante o fim de semana o pesar tomou conta de alguns dos principais mailings e fotologs de quadrinhos e, mesmo que as informações repetidas fossem quase sempre as mesmas, os depoimentos de amigos, colegas e admiradores só ajudavam a aumentar o sentimento de enorme perda.
Em homenagem a esse grande profissional que escolheu fazer quadrinhos no Brasil e os fez tão bem, o Nanquim reúne a seguir alguns comentários e homenagens feitos ao criador da Mirza por aqueles que tanto se inspiraram (e ainda se inspiram) nele.
"Sabe quem é o verdadeiro herói? É aquele que ninguém conhece. É muito fácil se sacrificar por algo, sabendo que um glorioso prêmio o aguarda. Fama, dinheiro, reconhecimento! É assim com astros do cinema, da TV, da música. Mas não é assim com o quadrinho. Arte das mais difíceis e completas. Um quadrinista tem que saber anatomia humana, artes cênicas, iluminação, fotografia, narrativa, arquitetura, engenharia, moda, roteiro, cor e por aí vai. É dos artistas mais completos do vasto campo da arte. Mas e o reconhecimento desses artistas? É precário. Se morrer um ator da televisão, ou um músico todo mundo fica sabendo. Todo mundo fala a respeito. Todos os jornais comentam. As mídias mais diversas fazem especiais sobre esses artistas. Quando morre um MESTRE da nona arte, quase ninguém sabe. Em alguns países esses artistas ainda são um pouquinho mais valorizados. Mas aqui no Brasil, a situação é revoltante. Morreu Colonnese. Um Mestre. Ele teve pouco reconhecimento em vida. Pouca riqueza (pelo menos advinda do seu meio artístico). Faleceu. E pelo jeito como as coisas são aqui no Brasil, deve cair em esquecimento maior ainda após a morte. Quanto tempo vai levar pra que os brasileiros dêem valor aos seus grandes artistas marginais: Mozart Couto, Watson Portela e tantos outros? Colonnese sabia que fazendo quadrinhos no Brasil ele não seria rico, nem famoso. Muito pelo contrário. Mas ele fazia assim mesmo. Sua paixão pela arte era maior! Um verdadeiro herói, daqueles que lutam pela causa e não pela fama. Sem o devido reconhecimento, ele fez quadrinhos durante décadas. Fica aqui um adeus carinhoso e orgulhoso, de um humilde discípulo que se inspirou na extraordinária arte desse MESTRE."
- Allan Goldman, desenhista
"Também era um fã do Eugênio Colonnesse, e particularmente da sua Mirza, da qual comprei absolutamente tudo que vi sair nas bancas. Recentemente, havia conseguido realizar um sonho antigo de fã, ao formar uma parceria com o mestre R. F. Lucchetti, no Tomo 1 da edição '35 anos de Velta'. Pensava que ia concretizar outra antiga aspiração, que era ter Eugênio Colonnese como parceiro. E melhor ainda: unir a sua esbelta Mirza com a minha Velta. Falei com Colonnese em outubro de 2002, quando o encontrei pessoalmente num desses Fest Comix que eram promovidos pela Opera Graphica e a Comix Book Shop. Lembro que ele até disse uma piada sobre a comparação das alturas da Velta e da Mirza: 'Quando ela faz crescer as asas de morcego, fica mais alta que sua Velta, se medi-la até a ponta da asa.' Tempos depois, enviei-lhe um roteiro de minha autoria. Colonnesse me respondeu através de amigos comuns, e disse que desenharia o roteiro se achasse uma editora que lhe pagasse pelo trabalho. Nesse meio tempo, cheguei a desenhar um história escrita pelo Roberto "Meteoro" Guedes, usando outra criação do Colonnese: o herói MYLAR. São dez páginas de uma aventura alocada nos anos 60, o auge da produção nacional de quadrinhos. Até o momento, não foi possível publicá-lo. Além disso, Colonnesse pretendia aprová-lo para uma editora profissional, onde pudesse receber o que lhe era devido, na qualidade de autor do personagem. Só recentemente, uma editora profissional se interessou pelo encontro entre VELTA e MIRZA, e estava em negociações diretas com o mestre Colonnese, afim de que ele trabalhasse na arte a lápis, enquanto eu faria a posterior arte-final. Infelizmente, o AVC vitimou Colonnese antes que ele sequer desenhasse uma única página. Pena que agora, esse sonho de fã, não realizarei. O mestre se foi, mas seus trabalhos ficam. Tenho todos, e poderei rever sempre, e novamente me deslumbrar com sua arte fantástica, com as belas e sensuais mulheres, com o claro-e-escuro impecável, e pela pesquisa profunda que era feita para cada tema desenvolvido para uma história. Fica aqui minha pequena homenagem, neste desenho da Mirza."
- Emir Ribeiro
- Will
- Reno
- Bruno Saurbronn


Adeus Colonnese
Achei uma belíssima homenagem!!!
Parabéns aos artistas
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