A nona arte invade Hollywood

Em matéria desta quarta-feira, a edição online do jornal L. A. Times dá um conselho aos roteiristas interessados em vender suas novas idéias aos estúdios de cinema: “Inclua desenhos ao seu roteiro. Depois coloque seu diálogo em balões.”
[imagem] Hard Boiled, de Frank Miller
A afirmação reflete uma tendência que se percebe há anos em Hollywood mas que talvez só agora tenha se tornado impossível de ser ignorada, a das adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos. Segundo o jornal, nas últimas seis semanas nada menos que vinte e dois projetos inspirados em HQs foram anunciados. Um nome que se destaca nessa maré de adaptações é o de Frank Miller, que além de estar dirigindo a adaptação de The Spirit, personagem de Will Eisner, terá pelo menos três de suas criações adaptadas às telas de cinema (Miller está envolvido na produção de Sin City 2, que segundo ele deverá ser uma trilogia, e é o criador das mini-séries Ronin e Hard Boiled, que também se tornarão filmes em breve). Segundo ele, essa tendência “está crescendo porque nesse momento é uma moda. Acho que podemos esperar que ela se acalme.” Enquanto isso, a Universal recentemente se aliou à editora Dark Horse para produzir e distribuir filmes inspirados em seu catálogo de personagens. A Paramount se aliou à Marvel, a Warner Bros é proprietária da DC Comics e muitos outros estúdios estão em busca de material. A lenda dos quadrinhos Stan Lee se juntou aos estúdios Disney num processo inverso, anunciando três projetos criados especialmente para os cinemas – Nick Rachet, Blaze e Tigress – e que em seguida deverão ser transformados em histórias em quadrinhos.

Diferente do roteiro tradicional, as HQs oferecem várias vantagens tanto a seus criadores quanto a seus eventuais produtores: seu desenvolvimento é mais rápido e mais barato que um roteiro comum, além de apresentar quase um storyboard do produto final e garantindo ao autor uma maior percentagem de direitos autorais que ele obteria se vendesse um roteiro convencional. Não somente, os quadrinhos se apresentam como uma leitura muito mais leve e divertida: “Eu não acho que exista um único formato de história pior que o roteiro”, disse Miller. “Eles são impossíveis de ler. Quase tudo neles faz você querer largá-los! Enquanto que uma história em quadrinhos é cheia de imagens... e você obtém uma idéia muito mais clara do que precisará para fazer um filme.”

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