“Eu fui um adolescente idiota”, diz editor da Marvel
Tom Brevoort, editor executivo da Marvel, escreveu um “mea culpa” em seu blog, admitindo ter feito, em sua juventude, muitos dos comentários que o incomodam hoje a respeito dos quadrinhos que ajuda a publicar. Sobre as críticas, Brevoort declarou não acreditar que os fãs desgostosos estejam errados, mas sim que sempre haverão pessoas amando e odiando o seu trabalho e de outros editores, e que é praticamente impossível quais histórias se tornarão clássicos e quais serão condenadas.
“Eu posso me identificar completamente com fãs indignados (mesmo que eu nem sempre concorde com eles) porque eu costumava ser um deles”, disse o editor.
Para ilustrar melhor seu ponto, Brevoort publicou trechos de comentários seus publicados vinte anos antes em fanzines que ele editava. No primeiro deles, com quatro pedras na mão, Brevoort tece comentários bastante maldosos ao editor chefe da Marvel da época, Tom DeFalco: “Uma boa coisa sobre o atual editor chefe da Marvel: ele gosta das coisas certas. Infelizmente, ele gosta tanto que está tentando imitá-las. Menos feliz ainda é o fato de ele não possuir absolutamente ninguém na folha de pagamento que seja tão talentoso quanto Kirby, Ditko, Lee, Romita, Colan, etc. Nada ia deixar Tom DeFalco tão feliz quanto voltar a 1966, quando a Marvel era a grande referência em quadrinhos mainstream. O Thor dele, por exemplo, [...] não parece com nada além de uma paródia mal-feita da fase de Lee e Kirby naquela série. O seu novo projeto Speedball é uma tentativa fracassada de ‘recriar’ o conceito do Homem-Aranha (‘Se Lee & Ditko conseguiram, então Ditko e eu podemos conseguir de novo!’).” Passados vinte anos, Tom reavalia sua declaração como “bastante ridícula. Primeiro eu condeno Tom D por ter um bom gosto e gostar dos mesmos quadrinhos que eu, e por tentar trazer um pouco desse sabor para o seu trabalho na época. Depois eu ponho meu elmo mágico de leitura da mente e prevejo motivos egocêntricos para tudo em que ele está trabalhando.”
Em outro comentário, o jovem Brevoort acusa os títulos da Marvel de 1988 de seguir fórmulas prontas, a exemplo do título dos X-Men. Sobre o escritor da revista na época, ele diz: “Chris Claremont não precisará produzir uma gota de criatividade pelo resto de sua vida. Ele pode simplesmente repetir as três mesmas histórias várias e várias vezes até o infinito.” Já o Brevoort editor e duas décadas mais velho tira sarro de si próprio, dizendo que sua versão do passado queria que os autores criassem HQs só para ele, e não para uma grande audiência.
“É um pouco humilhante o fato de em cada uma dessas ocasiões eu ter insultado diretamente criadores que ainda estão trabalhando no ramo diariamente – uma prova de sua longevidade e atratividade”, disse Tom. “Esses caras definitivamente tem meu pedido de desculpas por levar essas não-resenhas estúpidas a um nível pessoal e mal-informado.
“O ponto é”, finalizou ele, “eu entendo. Eu entendo esses caras, porque eu já fui esses caras. Somos todos o mesmo idiota, em nossas formas tão particulares. E em alguns casos, essas opiniões vão se provar embaraçosas nos anos que virão.”

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